As entidades de referência
Febraban — Federação Brasileira de Bancos
Publica anualmente uma pesquisa sobre fraudes financeiras enfrentadas pelos bancos associados, incluindo o prejuízo total estimado e os tipos de golpe mais recorrentes. A edição referente a 2024 foi divulgada em 2025.
Serasa Experian
Mantém o Indicador Serasa de Tentativas de Fraude, atualizado mensalmente, que mede as tentativas de fraude de identidade detectadas em todo o país, por setor e por região.
SaferNet Brasil
ONG que opera a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos e um canal de ajuda (Helpline). Publica um balanço anual das denúncias recebidas, incluindo os casos de fraude e golpe relatados diretamente pelas vítimas.
Quem é afetado
Segundo a Serasa Experian, o setor bancário e de emissores de cartão concentrou 53,7% de todas as tentativas de fraude detectadas no primeiro semestre de 2025, à frente das telecomunicações (alta superior a 50% no período), dos serviços (+30,2%) e das financeiras (+25,5%). Geograficamente, a região Sudeste concentrou 47,5% das tentativas registradas no país — mas, proporcionalmente à população, foi o Distrito Federal que apresentou a maior taxa nacional, com 8 119 ocorrências por milhão de habitantes. Do lado bancário, a Febraban aponta a clonagem ou troca de cartão (44%), o golpe da falsa central (32%) e o pedido de dinheiro por suposto conhecido (31%) como os tipos de fraude mais recorrentes relatados pelos clientes.
Por que agora
Os três indicadores convergem no mesmo sentido: crescimento acelerado, não estabilização. A Serasa Experian registra o ritmo mais intenso dos últimos meses, com um recorde mensal de 1,2 milhão de tentativas já em janeiro de 2025 — uma alta de 41,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A SaferNet Brasil observa o mesmo padrão do lado das denúncias de cibercrimes em geral, com uma alta de quase 40% no volume de atendimentos do seu canal de ajuda entre 2024 e 2025. Do lado bancário, a Febraban liga esse crescimento à digitalização acelerada dos meios de pagamento — o Pix em particular — e à profissionalização dos grupos criminosos, que adaptam rapidamente seus golpes aos novos canais. Ver o detalhe em a evolução do smishing e as fazendas de chips e call centers, onde essa profissionalização é descrita em detalhe.
Perspectivas 2026
Nenhuma das três fontes aponta para uma acalmia. A Febraban e o governo federal anunciaram, no fim de 2025, um plano conjunto de combate às fraudes bancárias digitais — sinal de que o setor considera a trajetória atual insustentável sem uma resposta coordenada. A Polícia Federal segue documentando operações contra redes que exploram anúncios digitais fraudulentos usando a imagem de órgãos públicos, como a Operação Ad Phishing de julho de 2026, com buscas em quatro estados. A expectativa das entidades consultadas é de um volume de tentativas ainda maior em 2026, acompanhando a digitalização crescente dos pagamentos e dos serviços públicos no país.
Perguntas frequentes
Quem documenta oficialmente os golpes no Brasil?
Não existe um único órgão nacional consolidado como em alguns outros países. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) publica uma pesquisa anual sobre fraudes bancárias, a Serasa Experian mantém um indicador mensal de tentativas de fraude, e a SaferNet Brasil publica um balanço anual de denúncias de crimes cibernéticos recebidas pela Central Nacional de Denúncias.
Qual foi o prejuízo com golpes financeiros no Brasil em 2024?
Segundo a Febraban, o prejuízo com golpes financeiros somou R$ 10,1 bilhões em 2024, uma alta de 17% em relação aos R$ 8,6 bilhões registrados em 2023.
As tentativas de fraude estão aumentando ou diminuindo no Brasil?
Estão aumentando de forma acentuada. A Serasa Experian registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude só no primeiro semestre de 2025, uma alta de 29,5% sobre o mesmo período de 2024 — o equivalente a uma tentativa a cada 2,3 segundos.