Egidio
Relatório de país · 2025-2026

Relatório Brasil: o estado dos golpes

O Brasil não tem um único observatório nacional consolidado da fraude — mas três fontes, combinadas, desenham um quadro coerente: a Febraban do lado bancário, a Serasa Experian do lado das tentativas detectadas, a SaferNet Brasil do lado das denúncias de cibercriminalidade. Eis o que elas revelam para 2025, e os primeiros sinais de 2026.

As entidades de referência

Febraban — Federação Brasileira de Bancos

Publica anualmente uma pesquisa sobre fraudes financeiras enfrentadas pelos bancos associados, incluindo o prejuízo total estimado e os tipos de golpe mais recorrentes. A edição referente a 2024 foi divulgada em 2025.

Serasa Experian

Mantém o Indicador Serasa de Tentativas de Fraude, atualizado mensalmente, que mede as tentativas de fraude de identidade detectadas em todo o país, por setor e por região.

SaferNet Brasil

ONG que opera a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos e um canal de ajuda (Helpline). Publica um balanço anual das denúncias recebidas, incluindo os casos de fraude e golpe relatados diretamente pelas vítimas.

R$ 10,1 bi
Prejuízo com golpes financeiros no Brasil em 2024, alta de 17% sobre os R$ 8,6 bi de 2023.
Febraban, pesquisa divulgada em 2025. Consultado em 15/07/2026.
6,9 milhões
Tentativas de fraude de identidade registradas só no primeiro semestre de 2025 — uma a cada 2,3 segundos, alta de 29,5% sobre o mesmo período de 2024.
Serasa Experian, Indicador de Tentativas de Fraude, 1º semestre de 2025.
87 689
Denúncias de crimes cibernéticos recebidas pela Central Nacional de Denúncias em 2025, alta de 28,4% sobre 2024.
SaferNet Brasil, balanço 2025, divulgado em fevereiro de 2026.
1 770
Anúncios digitais fraudulentos identificados pela Polícia Federal na Operação Ad Phishing, usando indevidamente a imagem de órgãos do governo federal.
Polícia Federal, Operação Ad Phishing, julho de 2026.

Quem é afetado

Segundo a Serasa Experian, o setor bancário e de emissores de cartão concentrou 53,7% de todas as tentativas de fraude detectadas no primeiro semestre de 2025, à frente das telecomunicações (alta superior a 50% no período), dos serviços (+30,2%) e das financeiras (+25,5%). Geograficamente, a região Sudeste concentrou 47,5% das tentativas registradas no país — mas, proporcionalmente à população, foi o Distrito Federal que apresentou a maior taxa nacional, com 8 119 ocorrências por milhão de habitantes. Do lado bancário, a Febraban aponta a clonagem ou troca de cartão (44%), o golpe da falsa central (32%) e o pedido de dinheiro por suposto conhecido (31%) como os tipos de fraude mais recorrentes relatados pelos clientes.

Por que agora

Os três indicadores convergem no mesmo sentido: crescimento acelerado, não estabilização. A Serasa Experian registra o ritmo mais intenso dos últimos meses, com um recorde mensal de 1,2 milhão de tentativas já em janeiro de 2025 — uma alta de 41,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A SaferNet Brasil observa o mesmo padrão do lado das denúncias de cibercrimes em geral, com uma alta de quase 40% no volume de atendimentos do seu canal de ajuda entre 2024 e 2025. Do lado bancário, a Febraban liga esse crescimento à digitalização acelerada dos meios de pagamento — o Pix em particular — e à profissionalização dos grupos criminosos, que adaptam rapidamente seus golpes aos novos canais. Ver o detalhe em a evolução do smishing e as fazendas de chips e call centers, onde essa profissionalização é descrita em detalhe.

Perspectivas 2026

Nenhuma das três fontes aponta para uma acalmia. A Febraban e o governo federal anunciaram, no fim de 2025, um plano conjunto de combate às fraudes bancárias digitais — sinal de que o setor considera a trajetória atual insustentável sem uma resposta coordenada. A Polícia Federal segue documentando operações contra redes que exploram anúncios digitais fraudulentos usando a imagem de órgãos públicos, como a Operação Ad Phishing de julho de 2026, com buscas em quatro estados. A expectativa das entidades consultadas é de um volume de tentativas ainda maior em 2026, acompanhando a digitalização crescente dos pagamentos e dos serviços públicos no país.

🔒 O golpe da falsa central e o pedido de dinheiro por suposto conhecido — dois dos três tipos de fraude mais citados pela Febraban — dependem quase sempre de um contato inicial por telefone ou mensagem. Veja como funciona a falsificação de chamadas.

Perguntas frequentes

Quem documenta oficialmente os golpes no Brasil?

Não existe um único órgão nacional consolidado como em alguns outros países. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) publica uma pesquisa anual sobre fraudes bancárias, a Serasa Experian mantém um indicador mensal de tentativas de fraude, e a SaferNet Brasil publica um balanço anual de denúncias de crimes cibernéticos recebidas pela Central Nacional de Denúncias.

Qual foi o prejuízo com golpes financeiros no Brasil em 2024?

Segundo a Febraban, o prejuízo com golpes financeiros somou R$ 10,1 bilhões em 2024, uma alta de 17% em relação aos R$ 8,6 bilhões registrados em 2023.

As tentativas de fraude estão aumentando ou diminuindo no Brasil?

Estão aumentando de forma acentuada. A Serasa Experian registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude só no primeiro semestre de 2025, uma alta de 29,5% sobre o mesmo período de 2024 — o equivalente a uma tentativa a cada 2,3 segundos.

Para saber mais