As entidades de referência
Polícia Judiciária (PJ)
Órgão de polícia criminal responsável pela investigação da burla informática, do branqueamento de capitais e da criminalidade organizada associada. Conduz regularmente operações de desmantelamento de redes de "CEO fraud" e de lavagem de fundos provenientes de burlas.
Linha Internet Segura
Ponto de contacto nacional para reportes de cidadãos, gerido no âmbito do Centro Internet Segura (parceria APAV/FCT, rede europeia Safer Internet), que compila anualmente os casos de cibercrime e burla reportados diretamente pelo público.
CNCS & Banco de Portugal
O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) publica um relatório anual sobre riscos de cibersegurança em Portugal. O Banco de Portugal acompanha especificamente a fraude associada aos meios de pagamento (cartões, transferências, débitos diretos) no seu Relatório dos Sistemas de Pagamentos.
Quem é afetado
O contraste entre as fontes é revelador. Do lado dos pagamentos bancários regulados — cartões, débitos diretos, transferências —, o Banco de Portugal descreve um sistema relativamente resiliente, com taxas de fraude baixas e em recuo. Mas é fora desse perímetro regulado, no espaço das redes sociais e das mensagens diretas, que o volume explode: a esmagadora maioria dos casos reportados à Linha Internet Segura começa em plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat ou X, antes de migrar para canais encriptados como o WhatsApp — precisamente onde a vítima é induzida, por engano e não por falha técnica, a autorizar ela própria a transferência.
Porquê agora
O CNCS, na 6.ª edição do seu relatório "Riscos & Conflitos" (setembro de 2025), situa o phishing, o smishing e as outras formas de engenharia social entre as ameaças mais recorrentes do panorama nacional, com 90% dos profissionais inquiridos a percecionar um risco crescente de incidente em 2025. A profissionalização das redes é visível nas próprias operações da PJ: já não se trata de burlões isolados, mas de estruturas dedicadas à criação de sociedades-fachada para branquear, à escala industrial, fundos provenientes de burla informática e de "CEO fraud". Ver o detalhe deste mecanismo específico no dossiê fraude no recrutamento, onde a usurpação de identidade profissional segue uma lógica próxima.
Perspetivas 2026
Os primeiros sinais de 2026 confirmam a tendência: a operação de julho contra a rede de branqueamento de 50 milhões de euros surge poucos meses depois de outra operação da PJ, em março, ligada a um esquema de 30 milhões de euros. Nada nestes dados aponta para um abrandamento — pelo contrário, a estrutura financeira por trás das burlas parece ganhar em sofisticação, ao mesmo ritmo que o volume de reportes de cidadãos continua a subir.
Perguntas frequentes
Quem documenta oficialmente as burlas em Portugal?
A Polícia Judiciária (PJ) investiga e reprime a burla informática e o branqueamento associado. A Linha Internet Segura, gerida pela APAV e pela FCT em parceria com a rede europeia INHOPE/Safer Internet, recolhe reportes de cidadãos. O CNCS publica um relatório anual sobre riscos de cibersegurança, e o Banco de Portugal acompanha especificamente a fraude nos pagamentos.
As burlas estão a aumentar em Portugal?
Sim, de forma acentuada nos reportes de cidadãos: a Linha Internet Segura registou 358 situações de burla online em 2025, um aumento de 44% face às 247 do ano anterior, num total de 949 casos de cibercrime reportados (+39%). Em contraste, a fraude direta nos pagamentos bancários (cartões, transferências) mantém-se estatisticamente reduzida, segundo o Banco de Portugal.
Que tipo de esquemas a PJ tem desmantelado?
Em julho de 2026, a PJ deteve 11 pessoas ligadas a uma rede que movimentou cerca de 50 milhões de euros através de sociedades-fachada, com fundos provenientes de burla informática e esquemas de "CEO fraud" — quando um burlão se faz passar por um responsável de empresa para induzir uma transferência bancária.