O que é uma SIM farm?
Um dispositivo "SIM-box" faz funcionar em simultâneo dezenas, por vezes centenas, de cartões SIM. Alugado como serviço a compradores criminosos, permite criar em massa contas online falsas, números falsos, ou fazer transitar chamadas e SMS em grande escala — muitas vezes para contornar filtros e fazer-se passar por um número local.
A operação que revelou a dimensão do fenómeno
A rede desmantelada alimentava um leque amplo de fraudes — phishing, extorsão, fraude de investimento, burlas em sites de anúncios — com perdas já contabilizadas junto das vítimas identificadas: cerca de 5,2 milhões de dólares em 1 700 processos austríacos, quase 490 000 dólares em 1 500 processos letões.
Porque é que esta indústria nunca para completamente
Uma rede desmantelada não é a única no mundo — é um modelo de negócio, não um incidente isolado. Enquanto alugar acesso a dezenas de milhares de números continuar a ser rentável para criminosos, novas redes tomam o lugar. É por esta razão estrutural que um filtro que se adapta continuamente, em vez de uma lista fixa de números bloqueados, continua a ser necessário.
Perguntas frequentes
O que é uma SIM farm?
Um dispositivo capaz de fazer funcionar dezenas ou centenas de cartões SIM em simultâneo, alugado como serviço a criminosos para gerar números falsos, contas falsas ou chamadas/SMS em massa.
Este tipo de rede foi mesmo desmantelada?
Sim. Em outubro de 2025, a Europol coordenou a operação SIMCARTEL com as autoridades austríacas, estónias, letãs e finlandesas: 1 200 dispositivos SIM-box e 40 000 cartões SIM ativos apreendidos, 7 detenções.
Porque é que isto diz respeito diretamente aos utilizadores da Egidio?
Porque estas redes são a fonte técnica de grande parte das chamadas e SMS fraudulentos que os particulares recebem — perceber a indústria por trás do spam ajuda a perceber porque nunca para totalmente, e porque um filtro local continua a ser necessário.
Outros mercados que cobrimos
A mesma indústria de números falsos e infraestrutura de chamadas em massa também é combatida por autoridades em mercados de língua portuguesa. Eis o que foi documentado, com data e fonte.
🇦🇴Angola — 8 detidos na Operação Contender 3.0 da INTERPOL (2025)
Entre 28 de julho e 11 de agosto de 2025, a INTERPOL coordenou a Operação Contender 3.0 contra o cibercrime em 14 países africanos — entre eles Angola, onde as autoridades detiveram 8 suspeitos e identificaram 28 vítimas domésticas e internacionais. No conjunto do continente, a operação resultou em 260 detenções, na apreensão de 1.235 dispositivos eletrónicos e no desmantelamento de 81 infraestruturas de cibercrime, com perto de 2,8 milhões de dólares em prejuízos estimados.
Fonte: INTERPOL, comunicado sobre a Operação Contender 3.0, 26/09/2025.🇲🇿Moçambique — 28 detidos numa rede de cartões SIM fraudulentos (2024)
Em maio de 2024, a equipa de Fraude Forense da Vodacom M-Pesa desmantelou, em colaboração com o Serviço de Investigação Criminal (Sernic) da província de Nampula, uma rede de agentes que usava um único documento de identificação para registar múltiplas contas e cartões SIM — 28 pessoas foram detidas para interrogatório nos bairros de Namicopo e Carrupeia. A investigação nasceu de um controlo interno antibranqueamento de capitais da própria operadora.
Fonte: Club of Mozambique, 20/05/2024.Não incluímos aqui um cartão para Cabo Verde: não encontrámos, até à data, uma operação policial nomeada e datada ligada especificamente a SIM farms ou centros de chamadas fraudulentos neste mercado. Preferimos deixar o cartão de fora a forçar uma cifra sem base sólida.
O mesmo padrão — uma única infraestrutura técnica ao serviço de milhares de vítimas espalhadas por vários países — é a razão de ser d'O Círculo, o modo Família da Egidio: até 4 telemóveis protegidos com uma só subscrição, útil quando a família está espalhada por vários destes mercados.