O que sua cobertura protege de verdade
A regulação brasileira avançou muito nos últimos dois anos: desde 2 de fevereiro de 2026, o MED 2.0 — Mecanismo Especial de Devolução, atualizado pela Resolução BCB nº 493, de 28 de agosto de 2025 — obriga as instituições participantes do Pix a rastrear o caminho do dinheiro roubado, mesmo quando ele é transferido rapidamente entre contas, e devolvê-lo em até 11 dias após a contestação de uma fraude. Isso é real e representa um avanço concreto. Mas o MED depende de haver fraude comprovada e de o dinheiro ainda ser rastreável — e é aqui que entra a diferença que mais aparece nos documentos que lemos: entre uma fraude em que um terceiro mexeu na sua conta sem você saber, e uma em que foi você mesmo quem autorizou o Pix, convencido por um golpista fingindo ser um familiar, o banco ou uma autoridade. Segundo dados do Banco Central, os prejuízos com fraude no Pix somaram R$ 6,5 bilhões em 2024, alta de cerca de 80% em número de ocorrências frente a 2023.
Três palavras que decidem tudo
Em qualquer apólice, são estas três noções — não o nome do produto — que determinam o que será realmente coberto:
O que eles escrevem, preto no branco
Levantamos o que dois dos maiores produtos de seguro contra fraude no Pix do mercado brasileiro declaram publicamente sobre golpe por engenharia social — e o resultado é uma contradição direta entre eles:
| Instituição | Produto | Preço divulgado | Cobertura | Carência | Golpe por engenharia social |
|---|---|---|---|---|---|
| Nubank (com Chubb) | Pix Protegido | R$ 6,99/mês | até R$ 5 mil/ano, máx. 4 acionamentos | nenhuma — vigora a partir do dia seguinte à contratação | coberto — golpes com engenharia social ou links maliciosos estão incluídos, segundo a página oficial do produto |
| Bradesco | Seguro Proteção Digital | R$ 8,99 a R$ 15,99/mês | R$ 10 mil a R$ 40 mil, conforme o plano de conta | não divulgada nas fontes consultadas | não coberto — o banco declarou que o seguro não cobre golpes de engenharia social em que o cliente é convencido a fazer o Pix, segundo reportagem da Tecnoblog |
| Egidio | Detecção e bloqueio | R$ 94,99/ano | não aplicável — não indeniza | não aplicável | não indeniza — age antes da transferência ser confirmada |
Fontes, páginas e reportagens consultadas em 30/07/2026 — Nubank · Bradesco (via Tecnoblog) · Banco Central — Guia MED · Agência Brasil.
Fichas detalhadas por instituição
Uma análise aprofundada, documento por documento, do que cada instituição realmente oferece:
- Banco do Brasil — Seguro Proteção Ouro, cobertura de cartão físico extraviado, não de golpe por engano
- Bradesco — Seguro Cartão Superprotegido Premiável e seu limite estrutural diante de golpes de engenharia social
- Itaú — Cartão Protegido e a exclusão contratual de transações voluntárias com senha fornecida
- Nubank — Pix Protegido (Chubb), cobertura por coação física e a exclusão de golpes de engenharia social sem violência
- Santander — o que cobre o Seguro Cartão Protegido
- Banco Inter — o que cobre o Cartão Mais Protegido
A frase que sustenta esta página
Entre os dois produtos que levantamos, é o Bradesco que porta a frase mais reveladora — não porque nomeie a fraude por engenharia social na denominação do produto, mas porque a exclui explicitamente, segundo o que foi divulgado pela imprensa especializada:
O Nubank, com o Pix Protegido, declara cobrir esse mesmo cenário — mostrando que a cobertura de golpe por engenharia social já existe no mercado brasileiro, mas não é padrão nem garantida entre instituições.
O cálculo
Duas comparações, só com os preços encontrados nos documentos oficiais acima:
O Egidio contra um ano de Pix Protegido
O Pix Protegido do Nubank cobre engenharia social, mas com teto de R$ 5 mil e no máximo 4 acionamentos por ano. Comparação dos dois valores anuais:
R$ 6,99/mês × 12 = R$ 83,88/ano, contra R$ 94,99/ano do EgidioO que o Bradesco deixa descoberto
Quem paga o Seguro Proteção Digital do Bradesco (R$ 8,99 a R$ 15,99/mês) e sofre um golpe por engenharia social, segundo a cláusula relatada, não recebe indenização por essa via — apenas o MED, se o dinheiro ainda for rastreável em até 11 dias.
R$ 15,99/mês × 12 = R$ 191,88/ano sem cobrir o cenário mais comum de golpePor que fazemos esse trabalho
Quem compra um detector de fumaça tem o direito de esperar mais do que uma caixinha: saber como um incêndio começa, o que fazer nos primeiros minutos, e o que nenhum aparelho vai fazer no seu lugar. É o mínimo devido a quem confia a você a própria segurança.
Esse trabalho — apurar fontes, checar, publicar, corrigir — é longo e exige disciplina. Não está fora do alcance de nenhum player desse mercado: vários bancos e fintechs citados aqui têm capital aberto e recursos incomparáveis aos nossos. Se não fazem, não é uma questão de recursos. É uma escolha.
No Egidio, a escolha foi feita. Você tem direito a isso, então você tem.
O que o Egidio não faz
Perguntas frequentes
Meu banco nunca vai me devolver o dinheiro em caso de golpe?
Não é isso que dizemos. Desde fevereiro de 2026, o Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), regulado pela Resolução BCB nº 493/2025, obriga as instituições a rastrear o caminho do dinheiro roubado via Pix e devolvê-lo em até 11 dias após a contestação, em casos de fraude comprovada. A dificuldade está num caso preciso: quando é você mesmo quem autoriza a transferência, convencido por um golpista, o que muda a forma como o caso é tratado por bancos e seguradoras privadas. É essa zona precisa que esta página documenta, produto por produto.
O que são franquia, carência e exclusão?
A franquia é o valor que fica sempre por sua conta, mesmo quando há indenização. A carência é o período após a contratação durante o qual um sinistro não é coberto. Uma exclusão é um caso explicitamente retirado da cobertura, seja qual for o valor do prejuízo.
Existe um seguro brasileiro que cubra especificamente o golpe por engenharia social no Pix?
Sim, com posições opostas entre os dois maiores produtos do mercado. O Pix Protegido do Nubank declara cobrir golpes por engenharia social. Já o Seguro Proteção Digital do Bradesco declara explicitamente que não cobre esse tipo de golpe, segundo reportagem que cita comunicado do banco. As duas informações vêm de fontes distintas e são detalhadas nesta página, com link para cada uma.
Egidio substitui meu seguro ou minha conta no banco?
Não. Egidio não é um contrato de seguro, não indeniza nenhum prejuízo e não substitui nenhuma cobertura existente. Ele age antes do sinistro, detectando e bloqueando a tentativa de golpe, enquanto um seguro ou o MED atuam depois, sob condições.